Ensinar a dividir com o irmão

Compartilhar espaço, brinquedos e, principalmente, a atenção dos pais não é um processo voluntário e precisa ser estimulado.


Por Paula Desgualdo

“É meu!” Quem vive rodeado de pequenos sabe que, na primeira infância, essa expressão não larga a boca da criançada. A boneca, a babá, o cachorro: tudo o que as circunda parece ser de sua exclusiva propriedade. De certa forma, elas têm razão. Cá entre nós, os próprios pais costumam transmitir essa impressão ao filho – basta notar quantas vezes se referem a algo como sendo “do nenê”.

Segundo Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, a divisão deve ser incentivada desde os tempos de filho único. “É preciso aprender que não dá para ganhar tudo sempre”, aponta. Uma idéia é mostrar que a criança não tem acesso ilimitado ao que acontece na casa. Há alguns programas que os pais fazem, por exemplo, dos quais ela não pode participar e ponto final.

Se o pequeno cresce sabendo que cada pessoa ocupa um determinado espaço na família, fica muito mais fácil repartir quando ganha um irmão. “A noção do outro surge aos poucos e é natural que haja competitividade entre eles”, afirma a psicoterapeuta paulistana Denise Molino. A divisão nunca será voluntária ou prazerosa, mas a criança aprenderá a administrá-la. “Somente por volta dos 6 anos, dá para esperar uma atitude mais voltada para o outro”, diz Ada Morgenstern, professora de psicanálise da criança do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo. Nessa idade, elas já se habituaram ao ambiente escolar, participam de jogos coletivos e conseguem ver nos amigos e irmãos uma companhia para as brincadeiras. Até lá, mostre aos pequenos que um filho não representa uma ameaça ao outro e estimule-os a brincarem juntos.

Fonte:bebe.com.br



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